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Quando a vida muda, você também muda?

Lembro vividamente quando o meu orientador do mestrado falou para mim, durante uma conversa sobre a pós-graduação e a possibilidade de fazer doutorado. Ele falou assim: - Se você chegou até aqui, pode ir mais longe. Você já não é mais a mesma pessoa. Nesses últimos dias, tenho refletido sobre como minha vida tem mudado e como eu ainda não sinto que mudei junto com ela.  Para alguns gurus da internet, talvez me falte permissão para me ver e me sentir diferente. Mais realizada, talvez.  Quando eu penso sobre isso, fico indagando sobre qual a versão minha que melhor se encaixaria neste momento presente? Como eu deveria performar? De que maneira eu posso valorizar mais a pessoa que eu fui, sou, tenho me tornado e ainda me tornarei? E aí, quando penso em performance, não consigo achar que deveria performar como o já conhecido e esperado. É a história da echarpe. Conhece? Se não conhece te conto rapidinho... Quando você ingressa na pós-graduação, mais especificamente no mestrado ou ...

Mulheres negras na disputa por espaço

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Ser mulher negra nunca foi fácil.  Somos estimuladas a desistir de nossos interesses a todo tempo. Somos incentivadas a organizar disputas infundadas entre nós mesmas para nos aniquilar. No campo da intelectualidade, nem sempre há espaço para existirmos com inteireza em lugares que nós mesmas criamos. Pior ainda naqules que não suportam nossa presença. Como mulher e intelectual negra que circula nos bancos das universidades públicas, posso afirmar o quanto é difícil não desistir de bancar o próprio pensamento.  É um eterno disputar de narrativa, como se vozes negras diferentes não pudessem co-existir.  Eu queria que fosse diferente e que a gente tivesse a possibilidade de viver mais do que sobreviver. Essa é a minha busca: a dignidade e o direito de existir sem pedir permissão.

Não me dou o luxo de não escrever

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A escrita é o atestado de existência. Como mulher negra, não posso me dar o luxo de deixar de registrar os meus pensamentos, a minha presença. A escrita de uma mulher negra é legado para quem virá e uma forma de segurar a mão das irmãs contemporâneas. bell hooks escreveu em “E eu não sou uma mulher?” sobre como ela se encantava com o poder que os livros tinham de mudá-la a cada leitura. Não penso ser honesto negar essa possibilidade a outras pessoas a partir dos pensamentos que tenho e das falas que profiro em sala de aula, cujos feedback em sua maioria são cheios de gratidão e desejo de uma alimentação recorrente.  Não deixo esse registro aqui dessa forma por uma questão egoica, mas por ter acreditado em algum tempo que não havia tanta importância em falar sobre o que sabia ou pensava. Respeitava mais o medo do que a oportunidade de fala, parafraseando Audre Lorde, e imagino que esta também seja a realidade de garotas e mulheres negras ainda hoje. Por isso, falar, escr...

Quando o anonimato passou a ser um peso?

Por esses dias estive mais offline. Recebi mensagens de algumas pessoas perguntando se estava bem porque não estava aparecendo nas redes. A verdade é que a vida fora da tela exige presença. Parei e me perguntei também sobre algo que talvez nunca tenha me deparado:  Quando foi que ter uma vida comum virou um problema? A exigência de uma vida completamente virtualizada, onde cada passo precisa ser publicado na timeline, nos afastou do desejo de apreciar o cotidiano simples e tranquilo de quem pode e deve viver sem uma vigilância 24 horas por dia.  Isso não anula o desejo da experiência de quem planejou (e executa) uma vida pública. Mas o privado também tem seu valor.

Racismo e uma das suas consequências

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Há poucos dias houve uma operação nas favelas da Penha e do Alemão no Rio de Janeiro que resultou em 150 mortos, estimam os moradores. Foram divulgadas apenas 64 delas nos veículos da grande mídia, sendo que todas eram taxadas como criminosas. Isso me quebrou.  Como mulher negra racialmente consciente, entendo que a operação nunca foi sobre combater a criminalidade e sim exterminar a população negra e, por consequência, angariar votos uma vez que 2026 será ano de eleição para prefeitos, vereadores e governadores. Quem vive sob a mão armada do estado entende que essa foi uma investida de genocídio e racismo.  É cansativo perceber que a pesar da abolição ter ocorrido em 1888, continuamos escravizados pelo sistema e suas consequência: seja pela falta de acesso a oportunidade que acaba, indiretamente, produzindo mais criminosos, sejam pelos criminosos que inviabilizam oportunidades mais são ávidos por votos.

Sentir sem saber

Como é difícil se sentir grata quando se tem a certeza de que  Tem algo faltando Algo quebrado Algo fora do lugar E não se sabe muito bem o que é.

Ressignificadas

Desde que comecei a empreender Todos os dias são terças  Todas as terças são sábados  Um brinde às segundas-feiras ressignificadas