Me tornei mestra em 16 de março de 2020. Não foi algo que planejei desde a tenra idade, mas foi algo que me foi apresentado a medida em que avancei na carreira acadêmica. Minha trajetória não foi tão linear quanto de outras pessoas na minha idade, especialmente porque a carreira acadêmica não era aquilo que sempre almejei. Costumo dizer que essa carreira me escolheu e não o contrário. Por isso, quando me percebi envolta nela tive certeza de que o título seria necessário, uma vez que a sociedade na qual estou inserida e a carreira docente exigem que papéis comprovem que eu "posso falar e você pode ouvir". Essa é uma frase que sempre está presente nas minhas apresentações feitas nas primeiras aulas. O que difere a professora da estudante, além da trajetória acadêmica, é a existência desses papéis, desses títulos. O título para mim além dessa função tinha outra, mais inspiradora e encorajadora, ele representava que eu, uma mulher negra de origem periférica, ocupei espaços elab...