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Mostrando postagens de março, 2020

Saudade

Saudade do tempo que a gente se abraçava  Saudade do tempo que o cumprimento com as mãos não bastava Saudade de ver as pessoas andando na rua Saudade da rua Saudade da visita à família  Do abraço apertado na mãe  Do beijo na testa do pai Do cheiro na irmã  Saudade de ligar a TV e ver notícias variadas Saudade de dar gargalhadas Saudade do tempo em que número de casos e números de mortos não era predominante Saudade de não te sentir tão distante - COVID-19 -

A importância dos títulos numa sociedade que valoriza o desempenho

Me tornei mestra em 16 de março de 2020. Não foi algo que planejei desde a tenra idade, mas foi algo que me foi apresentado a medida em que avancei na carreira acadêmica. Minha trajetória não foi tão linear quanto de outras pessoas na minha idade, especialmente porque a carreira acadêmica não era aquilo que sempre almejei. Costumo dizer que essa carreira me escolheu e não o contrário. Por isso, quando me percebi envolta nela tive certeza de que o título seria necessário, uma vez que a sociedade na qual estou inserida e a carreira docente exigem que papéis comprovem que eu "posso falar e você pode ouvir". Essa é uma frase que sempre está presente nas minhas apresentações feitas nas primeiras aulas. O que difere a professora da estudante, além da trajetória acadêmica, é a existência desses papéis, desses títulos. O título para mim além dessa função tinha outra, mais inspiradora e encorajadora, ele representava que eu, uma mulher negra de origem periférica, ocupei espaços elab...

A militância é chata?

- E aí, tá fazendo o que? - Tô assistindo Todo Mundo Odeia o Chris. E você? - Assistindo Chaves. - Eu não lembro de ter personagem negro em Chaves. Tem? Me lembre aí. Tem muito tempo que não assisto. - Não. - Hum. - Você gostava na época? - Sim, especialmente por não ter consciência de raça e classe. Esse diálogo entre mim e outra pessoa negra me fez refletir sobre como posso ser encarada como uma militante chata. Aquela que vê racismo, preterimento, sexismo, machismo, lgbtfobia e tantas outras doenças sociais em tudo, sabe? Não menti quando disse que gostava do seriado por ainda não ter consciência de raça e classe. Sempre fui uma criança que gostava de estudar e encarava o estudo como diversão. Mas também fui aquela criança que não tinha ensinamento sobre as questões da negritude em casa. Sentia o racismo, mas não sabia exatamente o que era e o porquê ocorria. Era atingida por flechas sem enxergar exatamente o atirador. Minha consciência racial só chegou na vida ad...

Aulas terapêuticas #diáriodocente1

Essa semana assumi uma nova turma de jovens aprendizes. No primeiro encontro, a turma não estava completa visto que a maior parte dos estudantes ainda passava pelo processo de contratação nas suas respectivas empresas. O contato inicial é sempre uma oportunidade de surpreender e ser surpreendida. Tenho o costume de olhar os novos rostos a mim apresentados e recordar-me que estou diante de novas histórias que serão continuadas a partir do encontro comigo e com meu modo de ensinar, mas, sobretudo, com a vontade de cada um em consonância com seus objetivos de vida. Bem, nesta primeira capacitação o tema era comunicação e demos o ponta pé inicial com as apresentações de cada um (a) a começar por mim. Em seguida, me pus a escutar com atenção as histórias que me seriam descortinadas. Pedi para que falassem o que desejassem e, a medida que isto ocorria, fui expondo algumas questões. Pude ir notando as carências, os desejos escondidos, as tomadas de decisão tomadas por elas e eles no impulso ...