Aulas terapêuticas #diáriodocente1

Essa semana assumi uma nova turma de jovens aprendizes. No primeiro encontro, a turma não estava completa visto que a maior parte dos estudantes ainda passava pelo processo de contratação nas suas respectivas empresas. O contato inicial é sempre uma oportunidade de surpreender e ser surpreendida. Tenho o costume de olhar os novos rostos a mim apresentados e recordar-me que estou diante de novas histórias que serão continuadas a partir do encontro comigo e com meu modo de ensinar, mas, sobretudo, com a vontade de cada um em consonância com seus objetivos de vida.
Bem, nesta primeira capacitação o tema era comunicação e demos o ponta pé inicial com as apresentações de cada um (a) a começar por mim. Em seguida, me pus a escutar com atenção as histórias que me seriam descortinadas. Pedi para que falassem o que desejassem e, a medida que isto ocorria, fui expondo algumas questões. Pude ir notando as carências, os desejos escondidos, as tomadas de decisão tomadas por elas e eles no impulso do desejo. Não há como negar a beleza, o jardim que é a sala de aula.
No momento do intervalo, essa beleza foi ressaltada por uma mensagem que havia recebido. Era de uma ex-estudante minha agradecendo pela vivência em sala e partilhando a conquista da aprovação na universidade pública. A longa mensagem tinha na sua metade uma expressão que nunca havia escutado, ou melhor, um adjetivo para as minhas aulas nunca antes atribuído. Ela dizia: "Você foi uma base muito importante para me (sic), pois foi nas suas aulas terapêuticas que eu passei a querer me reencontrar, você me fez querer a vida de novo [...] Você salva vidas, me salvou e eu nunca serei boa o suficiente para agradecer". (Quanta força nessas palavras!)
Depois de amenizada a emoção provocada pela mensagem, pus-me a recordar um pouco da sua história, como que numa fita cassete a ser rebobinada. Ao chegar no nosso primeiro encontro, relembrei sua postura, feição e olhar. Comparando as três imagens desta jovem (a do primeiro encontro, a do último e a que projetei ao ler a mensagem) pude perceber a evolução dela e consegui compreender o que ela quis dizer com "aulas terapêuticas".
Um espaço livre de julgamentos, repleto de ensinamentos, onde a escuta acolhedora sempre está presente, onde o incentivo à fala é o treinamento ao exercício do poder. Penso que isto caracterize uma aula terapêutica. Eu quero que elas e eles se vejam como realmente são: poderosas e poderosos. Essa nova turma representa para mim não só a oportunidade de aprimorar meu fazer profissional, ela é uma benção no meu caminho para a minha própria evolução. Todas as minhas turmas são assim para mim. São a prova da existência de uma força que me quer bem, que me quer ainda mais poderosa porque outras pessoas chegam para potencializar num movimento mútuo de crescimento. Aulas terapêuticas para mim e, espero que, para muitas (os) delas (eles) também.

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