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Mostrando postagens de agosto, 2021

A exigência do amor perfeito na ausência do próprio

Clichê daqueles que a gente lê todos os dias na internet e que, mesmo assim, não põe em prática. Por que tendemos a cobrar do outro* aquilo que nem mesmo sabemos que queremos? Qual a razão pela qual buscamos um amor perfeito, tendo plena consciência de que ele não existe? Seria tudo culpa dos contos de fadas ou parte desta porcentagem pode ser atribuída à ausência de reflexão sobre a questão? Particularmente, acredito que tentar racionalizar alguns sentimentos pode auxiliar na diminuição ou, quem sabe até, extinção de certo mal estar. Refletir sobre o porquê de ficar chateada por algo que o parceiro fez, mas que você também realiza pode te colocar num lugar de enfrentamento dos próprios demônios ou, simplesmente, te obrigar a olhar para si. Evidentemente que é preciso coerência. Vejamos. Tomemos como exemplo uma situação onde você foi convidada para uma festa na casa de uma amiga e não gostaria de ir acompanhada, embora seja alguém com um relacionamento afetivo estável e monogâmico. Su...

Por que tudo tem que ser sobre você?

Se compro uma comida Tem que ser a que você gosta Se decido como vai ser meu fim de semana Tenho que te consultar Se quero ficar sozinha Você avisa que está vindo sem me perguntar Por que tudo tem que ser sobre você? Quando vai chegar a minha vez se a vida é minha? Da sua vida sou comunicada Do que interfere na minha, se quer questionada A sua certeza da minha disponibilidade  Ou deveria dizer falta de controle É tanta que nem percebe que não está tudo bem Insisto nisso não sei pq Desconfio que me acostumei A ser cativa de quem não me tem Não sei se por medo do vazio Ou pq tudo tem que ser sobre você, meu bem

Que mulher você é?

Esse foi o questionamento que ressoou na minha mente após uma sessão de terapia. Frequentemente me arrependo de esquecer o caderno para anotar todos os insights que surgem após as sessões com a psicanalista. Mas, dessa vez, minha memória me ajudou e a pergunta ficou gravada na mente.  Falando em primeira pessoa (fique a vontade para adaptar essa escrita para sua realidade), estou acostumada a observar outras mulheres e elencar qualidades e oportunidades de melhoria assim que construo algum tipo de intimidade com elas. Mãe, irmã, amigas e colegas de trabalho já foram alvo dessas análises secretas. Facilmente consigo tecer comentários positivos sobre cada uma delas, mas quando o assunto é a escritora aqui...o buraco é mais embaixo.  Depois dos quarenta minutos de análise semanal, a questão que ficou foi: "além da mulher forte, inteligente, empoderada...quem é Sazana mulher? Como você se enxerga?" Logo em seguida: "ficamos por aqui". (Embora estudante de psicanálise, a...

É preciso tecer nossa próprias narrativas

Quando se entra na academia, uma das primeiras coisas que se escuta é que aquilo que não for referenciado não serve, não existe. Quer dizer que a partir daquele momento, tudo o que você decidir falar ou escrever precisa ser de outra alguém e essa alguém precisa ser citada. Logo, a sua autencidade e originalidades se tornam irrelevantes, quando não, apagadas. Ao passo que, para que haja manutenção da sua existência acadêmica, você enquanto estudante, especialmente se estiver no mestrado ou doutorado, necessita fundamentar a sua ânsia no ineditismo. Ou seja, necessita trazer algo novo para a academia, constantemente.  Talvez esteja se perguntando, o que de você, qual legado, acaba deixando se tudo precisa vir de outra pessoa. Também já me fiz essa pergunta, várias vezes. Não nego nem acho injusto que os créditos das criações sejam dados a quem as criou. Contudo, me questiono se, de certa maneira, esse discurso não acaba minando a força criativa das pessoas. Aqui vale pontuar que há, ...