Não me dou o luxo de não escrever
A escrita é o atestado de existência. Como mulher negra, não posso me dar o luxo de deixar de registrar os meus pensamentos, a minha presença. A escrita de uma mulher negra é legado para quem virá e uma forma de segurar a mão das irmãs contemporâneas. bell hooks escreveu em “E eu não sou uma mulher?” sobre como ela se encantava com o poder que os livros tinham de mudá-la a cada leitura. Não penso ser honesto negar essa possibilidade a outras pessoas a partir dos pensamentos que tenho e das falas que profiro em sala de aula, cujos feedback em sua maioria são cheios de gratidão e desejo de uma alimentação recorrente. Não deixo esse registro aqui dessa forma por uma questão egoica, mas por ter acreditado em algum tempo que não havia tanta importância em falar sobre o que sabia ou pensava. Respeitava mais o medo do que a oportunidade de fala, parafraseando Audre Lorde, e imagino que esta também seja a realidade de garotas e mulheres negras ainda hoje. Por isso, falar, escr...