Que mulher você é?

Esse foi o questionamento que ressoou na minha mente após uma sessão de terapia. Frequentemente me arrependo de esquecer o caderno para anotar todos os insights que surgem após as sessões com a psicanalista. Mas, dessa vez, minha memória me ajudou e a pergunta ficou gravada na mente. 

Falando em primeira pessoa (fique a vontade para adaptar essa escrita para sua realidade), estou acostumada a observar outras mulheres e elencar qualidades e oportunidades de melhoria assim que construo algum tipo de intimidade com elas. Mãe, irmã, amigas e colegas de trabalho já foram alvo dessas análises secretas. Facilmente consigo tecer comentários positivos sobre cada uma delas, mas quando o assunto é a escritora aqui...o buraco é mais embaixo. 

Depois dos quarenta minutos de análise semanal, a questão que ficou foi: "além da mulher forte, inteligente, empoderada...quem é Sazana mulher? Como você se enxerga?" Logo em seguida: "ficamos por aqui". (Embora estudante de psicanálise, ainda não cheguei na aula onde a profissional é treinada para deixar uma questão latente na mente da paciente rs). Sobre a pergunta...várias interrogações como resposta e uma certeza: as teorias feministas não me asseguram neste momento. 

A ser humana complexa que sou, os percursos vivenciados, as escrevivências registradas não dão conta suficientemente de responder esta questão. Contudo, auxiliam no rabiscar. A conclusão que chego é que um olhar afetuoso, honesto, delicado e isento de comparações com terceiras auxilia no mergulhar profundo em busca do resgate daquilo que nem sabia que havia perdido, ou que tivesse possuído um dia: a certeza de saber quem sou enquanto mulher. Isto porque não basta o que falam sobre mim. Só basta a segurança do autopertencimento que garanta a exposição autêntica da resposta que vem do lugar onde brotam os pensamentos: o coração. Sigo mergulhando.

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