A importância dos títulos numa sociedade que valoriza o desempenho
Me tornei mestra em 16 de março de 2020. Não foi algo que planejei desde a tenra idade, mas foi algo que me foi apresentado a medida em que avancei na carreira acadêmica.
Minha trajetória não foi tão linear quanto de outras pessoas na minha idade, especialmente porque a carreira acadêmica não era aquilo que sempre almejei. Costumo dizer que essa carreira me escolheu e não o contrário. Por isso, quando me percebi envolta nela tive certeza de que o título seria necessário, uma vez que a sociedade na qual estou inserida e a carreira docente exigem que papéis comprovem que eu "posso falar e você pode ouvir". Essa é uma frase que sempre está presente nas minhas apresentações feitas nas primeiras aulas. O que difere a professora da estudante, além da trajetória acadêmica, é a existência desses papéis, desses títulos.
O título para mim além dessa função tinha outra, mais inspiradora e encorajadora, ele representava que eu, uma mulher negra de origem periférica, ocupei espaços elaborados para a minha inexistência. Posso afirmar isso porque a universidade nunca foi um lugar pensado e construído para pessoas negras, muito menos para mulheres como eu. Ao conquistar um título como o de mestra, posso mostrar às minhas e aos meus estudantes que eles também podem. Que ser mestra e mestre também é para elas e eles. Não é apenas uma questão de desempenho, pensando desempenho pela perspectiva de Byung-chul Han no seu livro Sociedade do Cansaço, sobre esta falarei em outro momento. É uma questão de reparação histórica também.Representa a presença da minha ancestralidade ali, naquele espaço, do qual não teve acesso, não lhe foi dado por direito durante sua existência física. Por isso, meus títulos nunca serão sobre mim apenas, mas sobre uma galera que veio antes de mim e que me possibilitou ser e estar naqueles espaços.
Pra encerrar, essa mesma perspectiva me impulsiona para frente. Embora haja todo um querer pessoal em relação ao descanso, um pouco de relaxamento, que creio só chegue ao fim da próxima etapa ou, talvez, as perspectivas mudem e esse repouso nunca chegue. Enfim, sigo lutando e querendo descansar.
Minha trajetória não foi tão linear quanto de outras pessoas na minha idade, especialmente porque a carreira acadêmica não era aquilo que sempre almejei. Costumo dizer que essa carreira me escolheu e não o contrário. Por isso, quando me percebi envolta nela tive certeza de que o título seria necessário, uma vez que a sociedade na qual estou inserida e a carreira docente exigem que papéis comprovem que eu "posso falar e você pode ouvir". Essa é uma frase que sempre está presente nas minhas apresentações feitas nas primeiras aulas. O que difere a professora da estudante, além da trajetória acadêmica, é a existência desses papéis, desses títulos.
O título para mim além dessa função tinha outra, mais inspiradora e encorajadora, ele representava que eu, uma mulher negra de origem periférica, ocupei espaços elaborados para a minha inexistência. Posso afirmar isso porque a universidade nunca foi um lugar pensado e construído para pessoas negras, muito menos para mulheres como eu. Ao conquistar um título como o de mestra, posso mostrar às minhas e aos meus estudantes que eles também podem. Que ser mestra e mestre também é para elas e eles. Não é apenas uma questão de desempenho, pensando desempenho pela perspectiva de Byung-chul Han no seu livro Sociedade do Cansaço, sobre esta falarei em outro momento. É uma questão de reparação histórica também.Representa a presença da minha ancestralidade ali, naquele espaço, do qual não teve acesso, não lhe foi dado por direito durante sua existência física. Por isso, meus títulos nunca serão sobre mim apenas, mas sobre uma galera que veio antes de mim e que me possibilitou ser e estar naqueles espaços.
Pra encerrar, essa mesma perspectiva me impulsiona para frente. Embora haja todo um querer pessoal em relação ao descanso, um pouco de relaxamento, que creio só chegue ao fim da próxima etapa ou, talvez, as perspectivas mudem e esse repouso nunca chegue. Enfim, sigo lutando e querendo descansar.
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