Descansar é um ato possível?
Pergunto porque entendo que desistir não seja uma opção. Desistir do combate por igualdade racial e de direitos, ao menos no Brasil, não é algo possível para a pessoa preta. A sua própria existência, o seu despertar diário, já configura uma investida contra as forças violentas que buscam a extinção da pele negra.
Questiono também porque hoje senti a vontade de estar o dia inteiro na cama e, a cada minuto que se passava enquanto realizava o meu desejo, inúmeros foram os pensamentos acusadores de estar me aproveitando deste privilégio enquanto uma avalanche de pessoas negras não poderiam fazer o mesmo. Memórias ancestrais, objetivos pessoais futuros, metas para o alcance de uma sociedade mais justa estava assombrando o meu pensamento enquanto tentava descansar.
Militante descansa ou só milita? O descanso para a pessoa militante é uma utopia? Se for uma possibilidade real, quando e em que sentido essa trégua chegará? Mulheres negras que militam em prol de uma sociedade equânime não descansam essa é minha conclusão, temporária. Angela Davis (2019, p.22) em sua autobiografia confirma minha suposição: "muitas de nós não temos alternativa, exceto oferecer nossas vidas - nosso corpo, nosso conhecimento, nossa vontade - à causa do nosso povo oprimido". Sem alternativa só nos resta a luta.
Questiono também porque hoje senti a vontade de estar o dia inteiro na cama e, a cada minuto que se passava enquanto realizava o meu desejo, inúmeros foram os pensamentos acusadores de estar me aproveitando deste privilégio enquanto uma avalanche de pessoas negras não poderiam fazer o mesmo. Memórias ancestrais, objetivos pessoais futuros, metas para o alcance de uma sociedade mais justa estava assombrando o meu pensamento enquanto tentava descansar.
Militante descansa ou só milita? O descanso para a pessoa militante é uma utopia? Se for uma possibilidade real, quando e em que sentido essa trégua chegará? Mulheres negras que militam em prol de uma sociedade equânime não descansam essa é minha conclusão, temporária. Angela Davis (2019, p.22) em sua autobiografia confirma minha suposição: "muitas de nós não temos alternativa, exceto oferecer nossas vidas - nosso corpo, nosso conhecimento, nossa vontade - à causa do nosso povo oprimido". Sem alternativa só nos resta a luta.
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