Em extinção

Eu sou um animal em extinção
Só há um exemplar de mim na minha espécie 
Como posso perpetuar-me evitando a inexistência?
É através da arte
Daquilo que deixo de meu, único e intransferível 
Atemporal
Que continuarei existndo 
Mesmo depois do beijo gélido e pálido 

Eu mulher negra
Movedora de estruturas sociais 
Tenho toque único e humano só meu
Ninguém fará algo que só eu posso fazer
Mesmo que este algo possa ser feito por outra como eu
Não terá meu toque, minha voz, minha essência e existência 

As palavras ditas pela minha boca
Só podem ser desenhadas pelos meus lábios 
Ainda que outra como eu diga
Não serei eu a dizer
Pode não importar para quem escuta de onde vem a voz que invade seus ouvidos
Mas importa a mim que digo e não apenas ouço 
Me torno protagonista
Me vejo sujeita
Gozo da minha voz ecoada
Meu DNA impresso em ondas sonoras minhas
Que reiteram que estou em extinção 

Cuidem de mim.

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