Escrever sobre mim para que outro não o faça

Lélia, bell, Grada, Angela, Audre dizem que é preciso escrever. É preciso falar em primeira pessoa para que outro não faça isso por mim. Contudo aprender a escrever sobre mim não foi algo que aprendi na cadeira da escola, muito menos na da universidade. Nesses locais aprendi que nunca será suficiente.

Ninguém pegou na minha mão e disse "Vamos Sazana, escreva. É assim que se faz".
Bem ou mal, ouvi pontualmente em vários momentos da minha vida que escrevo bem. Meus diários guardadores de segredo sempre sabiam me contar bem aquilo que havia registrado anos antes. Mas sempre ansiei por uma figura que estivesse ali, na investida frequente, me fazendo ouvir o quanto a escrita também poderia ser para mim.

Na 5ª série a professora de Língua Portuguesa elogiou minha escrita. Na graduação, minha professora disse que o artigo estava muito bom e precisava apenas acrescentar outros pontos. Me convidou a publicar com ela. Na apresentação do TCC da especialização a membra da banca examinadora teceu elogios dizendo que após me ver apresentar conseguia me encontrar em cada palavra escrita no trabalho. Na defesa da dissertação de mestrado, a banca elogiou com riqueza de sentimento a minha escrita. E, como se não bastasse, recebo com frequência a pergunta "Quando vai escrever seu livro? Estou ansiosa para lê-lo". Nada disso foi é suficiente, ainda
.
Não sou tecelã das palavras. Me considero apenas alguém que sente. Em meio ao apelo cotidiano do Lattes pelas publicações que, certamente, não são em primeira pessoa, procuro encontrar motivos suficientes para sentar e escrever.

Quando os encontro, aperto enquanto escorrem entre os dedos. O que fica é a palma da mão molhada de palavras ditas na memória daquelas que deixei escapar.

Comentários

  1. Todas as vezes que escrevo algo, mesmo pequeno, fico sentindo que falta algo melhor que poderia expressar o que quero escrever. Por isso estou fazendo Letras, pra preencher essa lacuna.

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