Sobre o perdão

Recebi um convite para assistir uma live que um amigo irá promover esta semana cuja temática é o perdão. Imediatamente lembrei do filme A Cabana (inclusive, recomendo!) e de como o perdão traz em si o sentido de libertação. Contudo não pude evitar a associação com minha vida pessoal, especialmente ao que tange minha pertença a um povo historicamente escravizado.

Seria eu capaz de perdoar a escravidão e suas consequências? Se consultada alguma das minhas ancestrais que viveu na pele a dor e o sofrimento imputado por este sistema, a mesma seria capaz de perdoar o que foi feito a ela?

O perdão neste momento se mostrou um tema muito maior do que visto por mim até o momento. Me surgiu a seguinte reflexão que escrevi para meu amigo:

Às vezes as ações que nos ferem mudam os rumos das nossas histórias sem o nosso consentimento, muito menos a nossa consulta. Nos tiram a oportunidade de escolha e estraçalha o nosso coração. Acabam com estruturas construídas com tanto sacrifício que fica difícil se enxergar no vazio sem associar a culpa por isso a um indivíduo, e não a uma conjuntura. É como se você dormisse em sua cama e acordasse num poço sem nunca ter desejado isso. 

A dor nos destrói, mas até onde o perdão nos reconstrói ou, de fato, nos liberta? Até onde perdoar é realmente necessário? Quem é a pessoa sedenta pelo dispêndio do perdão? Será que buscamos tanto uma conciliação porque nos foi ensinado que isto é o correto a se fazer ou porque realmente é uma dependência nossa no alcance de uma pretensa paz?

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