Mulheres negras: entre a objetificação e a sensualidade

Enquanto via fotos minhas de um ensaio sensual antigo, me perguntava sobre como as mulheres negras militantes tratavam a sua sensualidade. Me questionei também se as raras fotos sensuais que já apreciei delas tinham alguma relação com a preocupação em não serem tratadas como objetos ou terem seus corpos hipersexualizados. Talvez por considerarem esse risco, poucas sejam as fotos postadas.
Essa já foi uma questão pessoal minha em um dado momento da vida, mesmo considerando ser importante deixar a beleza e a sensualidade fluírem, já que são características ao mesmo tempo naturais e, evidentemente, subjetivas. Um outro ponto a ser colocado é o "medo do ridículo", o receio da crítica. Não é segredo que historicamente as mulheres negras, assim como os homens negros, foram conduzidos (eufemismo, né?) a perceberem-se como feios por não atenderem a um padrão branco de beleza. Sendo assim, para aceitar seu corpo negro como belo e sensual, muitas vezes, requer da mulher negra e do homem negro um processo de desconstrução, ou melhor, descolonização, um enfrentamento que pode levar anos, uma vida inteira e, talvez, nunca chegue.
Contudo, não vejo essa ação como algo apenas individual. Pelo contrário, é uma ação coletiva. Acontece quando tenho a delicadeza e o respeito em elogiar outras mulheres e homens em suas belezas, qualidades e ações sem transmitir-lhes um discurso que os reifiquem. Este é um desafio que atravessa os corpos negros e que deve ser discutido.
Acredito que as mulheres negras militantes não saiam ilesas neste sentido.
Pense e responda para si mesmx: "Eu já deixei de postar uma foto minha, mesmo achando linda, por receio da opinião alheia? Eu já me neguei o direito de me perceber belx, apenas por ter a pele preta?"

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