Às vésperas dos 37

Os meus 37 anos chegaram e eu não posso mais ter medo. Não posso mais ter medo de arriscar. Preciso entender que o preço de dar certo é a possibilidade de dar errado também. 
Não há mais tempo para "ses". Há urgências para gozos e reconhecimentos. A sombra dos 40 anos chega com tanta pressa que o medo da lugar par um "já? Como? Mas outro dia eram 15." A certeza do "não quero filhos!" abre espaço para a dúvida do "não deixarei herança, um legado, para ninguém?". Pensei que a essa altura haveria mais certeza do que incertezas. Que saberia com mais afinco que eu seria e que não patinaria em tantas possibilidades do que ainda poderia vir a ser. De uma coisa não posso abrir mão e mesmo que pudesse, certamente não abriria: jamais deixarei de ser uma mulher negra.

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