O que significa ser protagonista da própria história?

Por engano, assisti novamente o episódio Joan é péssima da temporada 6 da série Black Mirror. Digo que foi por engano, pois estava crente de que não havia maratonado todos os episódios da temporada 7. Ledo engano! 

Na medida em que fui me dando conta de cenas levemente conhecidas, fui simpatizando com a ideia de que talvez eu já tivesse assistido aquela história por completo. Então, decidi rever de uma vez e estar aberta para o que universo teria para me apresentar de novo em algo já havia experimentado. Foi uma ótima decisão. 

O enredo é envolvente, te leva a se perguntar sobre suas próprias atitudes na web e sobre o quão precavida, de fato, você tem sido quanto aos seus dados. Particularmente, cheguei a conclusão de que preciso ter um pouco mais de cautela com os Termos e Condições que aceito no automático ,na maioria das vezes, e tenho certeza que não estou sozinha nesta, né? 😉

Mas não para por aí....



Além do debate importante sobre a privacidade de dados, há ainda a relevância quanto ao protagonismo da vida que vivemos. Quem, de fato, vive a vida que julgamos viver? Nesta era digital, quais das nossas versões vive a realidade. Mais ainda, quem de nós é real de verdade?

Embora minhas mãos cocem para trazer referenciais teóricos, gostaria de deixar propositalmente esta lacuna aqui, "permitindo assim" que tanto você, que lê, quanto eu, que escrevo, nos deixemos fluir em nossos pensamentos mais genuínos. Ora, se eu a todo momento ando por livre e espontâneo condicionamento com um aparelho conectado ou não à internet e com ele registro tudo o que faço, falo e penso incluindo também o que não faço, não falo e não concordo (embora pense), publicizo isso de alguma forma, posso eu então estar existindo plenamente?

Quais as versões de mim que caminham mais livres ou que alimentam genuinamente o algoritmo, fazendo com que as outras versões de mim coexistam? O que mantém o segredo que impede que essas versões dialoguem entre si sabendo uma da existência da outra? 

Esse episódio de Black Mirror me recordou quantas vezes já tive a sensação, especialmente na infância, de ter me encontrado com versões diferentes de mim mesma tal qual Dark (outra série que recomendo muito!). No entanto, para fins de nos manter no presente e costurar essa narrativa, ao me deparar com as cenas finais do episódio e o reaparecimento de uma fala onde a palavra "protagonista" era repetida, me veio a pergunta que intitula esse texto. Talvez mais adequado fosse perguntar: "qual das suas versões está sendo a protagonista da sua história?"

Aqui eu deixo que você leve a reflexão para onde quiser...

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